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João da Silva

Maria Helena Meira Luz

Resgatando a história: Ruas do meu bairro

  • Rua Abel Capella 

    Por todos os meios possíveis tentei fazer uma pequena biografia do personagem que empresta o seu nome a essa rua do nosso bairro de Coqueiros, a Doutor Abel Capella. Acabei encontrando alguns subsídios e também algumas recordações da minha infância e da minha juventude, quando conheci o Dentista Abel Capella.

    Ao ir para o Colégio Coração de Jesus, onde estudei, passava quase todos os dias em frente a sua casa, que ficava na Rua Crispim Mira, na parte entre a Praça do Quartel da Polícia Militar e a Avenida Mauro Ramos. O que me chamava a atenção era a placa que ele afixou na fachada da casa, indicando que ali também era o seu consultório.

    O sobrenome Capella é de família bastante conhecida em nossa cidade, muito embora - por vezes - é encontrado com a grafia Capela, a exemplo da placa indicando a própria rua.

    Os dados sobre Abel Capella foram encontrados de maneira diferente como faço nas minhas pesquisas genealógicas. Primeiramente, encontrei seu atestado de óbito, percebendo que, pela data, a homenagem que ele havia recebido ao emprestar seu nome à via pública, aconteceu oito dias após a sua morte como mostra o registro de óbito.

    Ele faleceu no dia 11 de março de 1963, no Hospital de Caridade, de Insuficiência Renal Aguda. O registro de sua morte - de número 27354 - talão 107- da página 54 – está no Cartório Civil de Fernando Campos de Faria. Foi declarante o magistrado Ticho Brahe Fernandes Neto, portador do atestado médico assinado pelo doutor Sérgio Luiz Francalacci.

    Dentista de profissão, morreu aos 40 anos de idade, deixando a esposa Ely Capella e sete filhos. Foi sepultado no Cemitério Público de Florianópolis. Seus pais, Artur Capella, funcionário público, e Maria do Carmo Bonson Capella, de profissão do lar, também moravam na Capital, na da Rua José Veiga, número 70 (atual Avenida Mauro Ramos).

    Nascido em 5 de novembro de 1922, Abel Capella teve como avós paternos Oscar Cardoso Capella e Etelvina Bittencourt Capella e maternos Álvaro Henrique Bonson e Maria Júlia Bonson, todos catarinenses.

    IMPORTANTE RUA DE COQUEIROS

    A Rua Doutor Abel Capella, uma das principais vias do bairro de Coqueiros, foi instituída como via pública pelo Decreto de número 550 de 19 de março de 1963.

    É uma perpendicular da Avenida Engenheiro Max de Souza, segue até o desvio sob o viaduto da Via Expressa (BR 282) e continua até encontrar-se com a Avenida Governador Ivo Silveira. Pode-se dizer que ela une os bairros de Coqueiros a Capoeiras.

    Como ponto principal de localização, pode-se destacar o Ponto de Táxi para ingressar na via pelo lado do bairro de Coqueiros.

    A Abel Capella foi, nos primeiros tempos, uma via de característica predominantemente residencial, constituída de casas e sobrados. Atualmente, as estatísticas apontam aproximadamente 576 domicílios, contando com os edifícios de apartamentos residenciais.

    No entanto, pela Lei Nº 1348/1975 ela foi considerada como Residencial/ Comercial:

    “O Presidente da Câmara Municipal de Florianópolis, na conformidade com o § 2º. do art. 48, da Lei Nº. 1084 de 17/09/1970, faz saber que ela decreta e promulga a seguinte Lei: Art. 1º. Fica considerada zona residencial-comercial a Rua “Abel Capela” (com um ene, adendo meu) em toda a sua extensão, localizada no bairro de Coqueiros.

    Parágrafo Único: As construções de uso comercial obedecerão também o recuo de quatro metros. Art.2º. Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Câmara Municipal de Vereadores, 24 de Novembro de 1975.

    Waldemar Joaquim da Silva Filho. Presidente da Câmara de Vereadores”.

    Foi por essa lei de autoria de um dos mais conhecidos e famosos vereadores de Florianópolis, o vulgo “Caruso”, que a via deixou de ser somente residencial, como era nos primeiros tempos, para ter o uso também para o comércio local, com o crescimento vertiginoso do bairro.

    Doutor Abel Capella também é nome de uma Escola Municipal de Educação Básica na localidade de Canto dos Ganchos, em Governador Celso Ramos.

    E para quem não conhece, a Rua Abel Capella abriga uma bela e ampla praça, construída com apoio dos moradores locais. Ela reúne um parquinho infantil, mesas de xadrez, bancos e muitas flores e árvores.

    Maria Helena Meira Luz
    Pesquisadora do INGESC (Instituto de Genealogia de Santa Catarina)
    Cadeira Nº. 15 da ASAJOL (Academia São José de Letras)
  • Rua Almirante Tamandaré 

    Inicio esta coluna, onde periodicamente faremos o resgate histórico dos nomes das ruas do bairro de Coqueiros, com seus ilustres personagens, que a elas emprestaram seus nomes ou foram homenageados e distinguidos por lei, para se perpetuarem na nossa comunidade.
    Coincidentemente nascido a 13 de dezembro, como eu, o Almirante Tamandaré será o primeiro a ser resgatado pelos seus feitos e sua vida pública, pela autora. 

    Nome da via pública que liga a principal via do bairro, a Desembargador Pedro Silva com a via expressa (BR282), a Almirante Tamandaré é a única avenida de Coqueiros, por assim dizer, que possui um canteiro central ajardinado e um agradável boulevard. 

    Joaquim Marques Lisboa, nascido na cidade gaúcha de Rio Grande, faleceu no Rio de Janeiro em 1897. É considerado herói nacional e Patrono da Marinha de Guerra do Brasil, e, por isso, no dia do seu aniversário é comemorado o Dia do Marinheiro. 

    Foi um militar da Armada Imperial Brasileira e atingiu o posto de Almirante. Pelos elevados serviços prestados ao Império, foi agraciado com os títulos de barão, visconde com grandeza, conde e marquês de Tamandaré. D. Pedro II escolheu o nome Tamandaré em honra da praia pernambucana onde esteve de passagem com o futuro Almirante, que pediu ao imperador o favor de recolher os despojos de um seu irmão enterrado no cemitério daquela localidade. 

    Além de Florianópolis, outras cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre receberam ruas como nome de Almirante Tamandaré. 

    Durante sua vida militar participou de grandes momentos revoltosos em que foram envolvidas as tropas brasileiras: A Guerra da Independência Brasileira, da Confederação do Brasil, e das revoltas ocorridas no Período Regencial como a Cabanagem, a Sabinada, a Farroupilha, a Balaiada e a Praieira. 

    Com envolvimento do Brasil nas Guerras travadas com nossos países vizinhos, participou da Guerra contra Oribe e Rosas que eclodiram na Guerra do Paraguai; Comandou as forças navais brasileiras na Bacia do Prata, em apoio à Batalha do Passo da Pátria, a Batalha do Cururu e a Batalha do Curupaiti. 

    A Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul. Foi travada entre o Paraguai e a Tríplice Aliança, composta pelo Brasil, Argentina e Uruguai. Por isso, também é conhecida como a Guerra da tríplice Aliança. 

    Esse conflito armado durou mais de cinco anos, de dezembro de 1864 a março de 1870. Para esse conflito o Brasil enviou mais de 150 mil homens à guerra. Desses, 50 mil não voltaram e um grande número retornou para casa sem condições de uma vida civil com dignidade, já que muitos voltaram mutilados. 

    Em setembro de 1893, redigiu seu testamento e entre as disposições por ele citadas escolhemos uma para ilustrar sua vida exemplar dedicada a Marinha do Brasil: “Como homenagem à Marinha, minha dileta carreira, em que tive a fortuna de servir à minha Pátria e prestar algum serviço à humanidade, peço que sobre a pedra que cobrir minha sepultura se escreva: Aqui jaz o Velho Marinheiro.” 

    Sua foto já foi estampada em uma cédula de moeda nacional, na nota de um cruzeiro, uma cédula antiga e sem valor atualmente. Teve circulação entre 14/12/1944 a 13/05/1967.

    Maria Helena Meira Luz
    Pesquisadora do INGESC (Instituto de Genealogia de Santa Catarina)
    Cadeira Nº. 15 da ASAJOL (Academia São José de Letras)